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Terça-feira, 22 de Maio de 2007

22 de Maio, Dia do Autor

Olá, Visitantes

 

Hoje vou dedicar um post ao Dia do Autor.

 

Esta é uma matéria à qual eu sou particularmente sensível, pois, como pessoa que acredita na Cultura, tenho forçosamente de acreditar no Autor, seu agente primário e principal.

 

Por conseguinte,  defendo uma coisa que muita gente acha uma chatice, um exagero, que não se devia pagar, etc etc etc, mas que é um dos direitos fundamentais da Constituição da República Portuguesa: o DIREITO DE AUTOR.

 

Defendo-o por profissão, como alguns de vocês sabem... mas defendo-o também por convicção.

 

Não vos prometo quando, mas certamente voltarei a pronunciar-me sobre este assunto.

 

Para já, deixo-vos a mensagem deste ano do Dia do Autor, escrita por Baptista-Bastos:

 

"COM AS PALAVRAS, COMO É HÁBITO":

 

 

“Qual o poder do Autor, num mundo onde as palavras foram substituídas por números que subtraem, omitem ou rasuram as pessoas? Apesar do cerco actual, aprendemos com outros cercos e sobrevivemos a outros perigos e ameaças. A nossa história foi-se construindo na ilusão, um pouco louca, um pouco presunçosa, de nos anteciparmos a nós próprios a fim de estabelecer a ponte entre isto e aquilo.

  
Escrever, criar, sonhar não são, apenas, representações: são projectos e projecções ideológicos, e renovadas relações entre História e memória. Não há que fugir a isto: ao compromisso exemplificado na declaração tremenda de que a batalha pela liberdade de criação implica a recusa da mentira e uma permanente resistência à opressão e à tirania. Temos de estar cada vez mais atentos e cautelosos. As minúcias do cerco tornaram-se extremamente subtis e, por isso mesmo, mais operativas. Querem fazer-nos crer na fragilidade da palavra, na fugacidade da arte, na desimportância do acto de pensar. Acaso essas afirmações possuam algo de verdadeiro. Porém, a opção cultural não é questão de previsões, de cálculos, de estatísticas  -  exactamente porque estamos a falar da condição humana, a argila com a qual o Autor molda a natureza das suas imperfeições, na procura de uma improvável perfeição.

 
O nosso horizonte nasce e amplia-se através de fortes imperativos éticos e de consistentes decisões morais. A estética resulta do almofariz onde se procede a essa fusão, e a invenção de formas provém da probidade com que trabalhamos no nosso ofício. O Autor não é uma criatura neutra e muito menos independente ou imparcial. Escrever, criar, sonhar são sempre lugares de encontro e de procura do outro. Interpelar é tomar o partido da compreensão, para se refazer o caminho. Responsáveis pelas nossas palavras, poderemos vir a ser culpados de as utilizar sem a autoridade moral e a nobreza por elas exigidas. Com o tempo e com a prática aprendemos que as coisas insignificantes devem ser tratadas com a maior seriedade.

  
Talvez o mundo de outrora fosse mais simplificado, sem deixar de ser menos complexo ou perigoso. Enfrentámo-lo na certeza de que as palavras continham, no seu bojo, a magnitude da esperança, e a crença de que poderiam modificar as coisas e os destinos. Enfrentámo-lo no limiar do desassossego que torna cúmplices o coração e a razão.

 
Enfrentámo-lo e aqui estamos, herdeiros de um legado de insubmissão e de altivez. Aqui estamos, para o que der e vier.

 
Com as palavras, como é hábito. “

 

Baptista-Bastos

(Texto extraído da página de internet da SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES)

  

www.spautores.pt

 

 

Tenham uma boa noite

 

Visitante

Sinto-me:
Música: "Ser Poeta" (Trovante)
Publicado por Visitante às 23:50
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4 comentários:
De Espanto a 23 de Maio de 2007 às 10:05
Olá, Amigo Visitante!
Nos últimos tempos, Baptista -Bastos tem escrito nas suas crónicas grandes verdades sobre o que se está a passar, quase pela sordina, no nosso país. E esta reflexão é outro exemplo disso mesmo. Ainda ontem, ao falar com um senhor que quase todos os dias viaja no comboio comigo ( os comboios regionais proporcionam este contacto engraçado), ele mostrou-me uma crónica do Baptista Bastos sobre o estado do nosso país, em termos políticos, sociais, economicos e acima de tudo intelectuais . Enviou uma cópia dessa crónica, juntamente com uma carta ao Presidente da República. Por engraçado que pareça essa pessoa escreve poesia e está registado na Sociedade Portuguesa de Autores!
Mas voltando a esta reflexão, há muita coisa que nos últimos tempos me tem deixado a pensar ... em 74 eu era muito pequena, não vivi a ditadura como muitos portugueses, mas tenho a percepção que o significado da palavra, a sua força e o seu carácter de intervenção fazia estremecer qualquer um e mover multidões, o mesmo com o a liberdade. Hoje, em dia tudo é desvalorizado, tentasse menosprezar a força da palavra, os alertas dos nossos intelectuais, banalizar-se a cultura e retirar o poder crítico e reflexivo às pessoas ... para quê? Para sermos meros automatos, para dizermos sempre que "sim" ao que o poder político ditar, para sermos ovelhas de um rebanho que vai para o local que o pastor mandar sem questionar?
Beijinhos
De Visitante a 25 de Maio de 2007 às 00:28
Olá Espanto

Por muita democracia que se invoque, o objectivo de quem detém o poder é tentar calar ao máximo aqueles que possam contestar.

Felizmente, não te apercebeste da ditadura (até o uso da palavra era proibido...) por seres ainda muito jovem, mas permito-me gabar-te a noção de cidadania que demonstras.

É, pois, de fundamental importância o papel das pessoas que, normalmente, estão na base da educação e formação de um cidadão, e que têm o enorme poder de lhe abrir os olhos.

Beijinho
Visitante

De FELINO a 23 de Maio de 2007 às 21:21
Olá Amigo
Obrigado pelo comentário.
Aquilo é só para aquelas pessoas que vêm para os blogs queixarem-se da vida delas e lamentarem-se de merdinhas que para mim são simples migalhas.
Eu públiqueio não para terem pena de mim mas para por as pessoas a pensar e verem que à sempre quem esteja pior do que nós. Obrigado pela força de 115 Kg, bem andas-lhe a dar.
Abraços
Ass: Felino
De Visitante a 25 de Maio de 2007 às 00:32
Olá Felino

Até nisso se vê que tu e a tua Gata Sardenta são pessoas de uma grande força interior.

Como já disse num comentário anterior, tens de andar com aquela Gata nas palminhas das mãos.

Um abraço
Visitante

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